17 de junho de 2011

Filosofia de Buteco



Um copo de bebida a sua frente. Na metade. Um bando de pessoas no bar, futebol passando na TV, as bolas de sinuca rolando pela mesa, nada fora do normal. Nada de extraordinário, só que a bebida estava fazendo um efeito diferente. Em vez de ir agir como o bêbado que era, estava sentado na mesa, encarando a cerveja já quente.

"Puta que pariu, não to bem", pensa. Mas o que diabos estava acontecendo ali, por que tudo parecia estranho? Nesse momento, pousa uma mosca no copo de cerveja do sujeito.

"Oh, bichinho inconveniente". Silêncio. De repente, parecendo mágica, um turbilhão de pensamentos começam a invadir sua cabeça.

"O que fazem das moscas inconvenientes? O que elas fazem que nos deixam tão irritados? O fato de seguirem sua natureza? Aliás, somos parecidos com elas. Somos chatos, inconvenientes e perturbamos a paz de outros". Bebe mais um copo. Resolve pedir algo mais forte. "Todas essas pessoas, aqui nesse bar. Bebendo, gritando, conversando... Será que já pararam pra pensar na natureza das moscas? Será que já pararam pra pensar em alguma coisa que não seja a rotina? E por que estou eu aqui, pensando nessas coisas? Será que o ser humano está destinado a se questionar em algum momento sobre a Vida? Mas levando em conta a quantidade de gente que está disposta a se descobrir, posso acreditar que nem todo ser humano pode ser considerado como ser vivo. Tá todo mundo dormindo, por assim dizer. Todos bebem suas cervejas, sem saberem quem são, ou o que fazem de suas vidas. Não sabem e nem se interessam em pra onde isso vai levar. E não é só a parte mística da coisa, acontecem coisas todos os dias em nossa política, em nossa rotina, e ninguém sequer vê que se as pessoas se questionassem mais, se tentassem entender e procurar enxergar a vida e seus acontecimentos por diferentes ângulos, teríamos mais compreensão, mais respeito, teríamos valores a serem respeitados."

A gritaria continua no bar, e o garçom continua trazendo bebida ao sujeito.

"Mas e eu? Eu também não sei quem sou. Não sei onde minhas escolhas me levarão. Dormia, como todos, até um simples animal vir me irritar. E agora estou aqui, em meio a toda essa Filosofia de buteco. Confuso, bêbado e com apenas uma vontade. Voltar para casa, deitar nos braços de minha mulher, e me sentir vivo."

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